terça-feira, 30 de setembro de 2014
quinta-feira, 4 de setembro de 2014
Poison
Quero escrever uma desconstrução. Assim, simples. Ela acorda bem e vai dormir sendo apenas uma fração de si. Já a vejo com o seu ar confuso, algo como ''ontem, tudo isso fazia todo o sentido para mim'', os seus olhos desfocados e seus pensamentos em turbilhão, enquanto ela procura neles a significação que há pouco estava exposta ali, na página principal.
Sem ponto? Talvez. Mas ninguém se desconstrói procurando um fim, só acontece. Num momento você vê braços, pernas e pés, noutro não vê nem sombras.
Mas como se desconstruir? Preciso mesmo dar uma razão de ser para a membrana que agora se encontra cobrindo a pupila da minha heroína? Ela precisa se ver em mil pedaços visando algum fim?
Acho que não. Se afinal somos mil e uma pessoas durante a vida, em algum momento preciso me desfazer do que sou para entrar numa nova casca.
Porém, acima de tudo, confesso minha paixão pelo despedaçado. Não posso dizer com propriedade, mas talvez já tenha perdido a conta das vezes que me desconstruí do dia para a noite e passei meses juntando retalhos.
Não sou apaixonada pelo processo, passar por ele tem sua parcela (quase cara demais) de doloroso. Sou apaixonada por observá-lo. Existe algo de sublime, único e viciante em observar uma pessoa sã com um olhar opaco, vendo as coisas como uma criança que encara placas antes de ter aprendido as letras.
Há algo de maravilhoso no desespero e de apreciável no desabar dos alicerces do existir.
Sem ponto? Talvez. Mas ninguém se desconstrói procurando um fim, só acontece. Num momento você vê braços, pernas e pés, noutro não vê nem sombras.
Mas como se desconstruir? Preciso mesmo dar uma razão de ser para a membrana que agora se encontra cobrindo a pupila da minha heroína? Ela precisa se ver em mil pedaços visando algum fim?
Acho que não. Se afinal somos mil e uma pessoas durante a vida, em algum momento preciso me desfazer do que sou para entrar numa nova casca.
Porém, acima de tudo, confesso minha paixão pelo despedaçado. Não posso dizer com propriedade, mas talvez já tenha perdido a conta das vezes que me desconstruí do dia para a noite e passei meses juntando retalhos.
Não sou apaixonada pelo processo, passar por ele tem sua parcela (quase cara demais) de doloroso. Sou apaixonada por observá-lo. Existe algo de sublime, único e viciante em observar uma pessoa sã com um olhar opaco, vendo as coisas como uma criança que encara placas antes de ter aprendido as letras.
Há algo de maravilhoso no desespero e de apreciável no desabar dos alicerces do existir.
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